Newsletter nº5 - Dezembro 2021

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Compromisso e esperança – desejos para o Novo Ano

Terminamos mais um ano sob os efeitos de uma pandemia que tarda em nos deixar tranquilos para vivermos de forma mais livre as nossas vidas. Os efeitos que temos experimentado ao nível laboral, económico e social têm posto à prova o nosso poder de resistência e de resiliência, tem exigido grande capacidade de adaptação e, também, de reflexão sobre o modelo de sociedade que construímos e os modelos de organizações que criámos ou ajudámos a criar.  

 

Ao longo deste tempo o nosso olhar tem estado direcionado para as organizações das áreas da saúde e dos serviços sociais, pelo impacto que a pandemia teve e continua a ter nestes domínios e, até, pela interseção entre eles.

 

No campo específico dos serviços sociais, os desafios são muitos e alguns bastante complexos:  a capacidade de resposta face a uma procura que tendencialmente continuará a aumentar, em linha com as mudanças demográficas das últimas décadas; os recursos humanos necessários a serviços de qualidade, seja em diversidade, quantidade e qualificação; a adequação de instalações e de meios  materiais e financeiros para prestação dos serviços sociais, segundo o primado da dignificação de quem deles usufrui; a capacidade de inovar nas formas de gestão organizacional, requerendo, entre outros aspetos, espírito de cooperação quer a nível interno, quer a nível externo.


No caso particular das organizações que prestam cuidados a pessoas idosas, especificamente as ERPI, a necessidade de reflexão é ainda mais premente. A COVID 19 interferiu de modo muito negativo na vida quotidiana dos que nelas têm o seu espaço de vida e dos que nelas trabalham, por razões muito diversas, desde as vidas que se perderam até às deficiências de natureza estrutural. São fatores que merecem a nossa atenção, exigem de nós abertura para aprender com o que aconteceu e capacidade para introduzir as mudanças necessárias. Algumas dependem de nós, de quem trabalha nestas organizações; outras são de natureza mais macro e requerem ação por parte de quem tem responsabilidades na governação da res publica.
 

Mas os tempos presentes trouxeram à discussão um tema sobre o qual importa refletir: devem as ERPI passar a serem consideradas estruturas de saúde, ou devem continuar a manter-se no âmbito dos serviços de natureza social? Ainda que, pelas características do público que atende, a ERPI tenha obrigatoriamente que integrar a vertente da saúde, qual a missão e finalidade mais adequadas? O que importa valorizar, a manutenção do conceito e de uma filosofia que a aproxime o mais possível à vivência no lar/casa, ou o conceito de estrutura de saúde, com uma filosofia mais centrada na dimensão da doença e do défice na idade avançada? Quais os riscos da valorização da dimensão saúde em detrimento da dimensão social, incorporando estas as atividades da vida diária, as relações interpares e com as famílias, a ligação à comunidade, elementos fundamentais ao bem estar e saúde mental do ser humano?
 

Estes são simples tópicos para nossa reflexão. Pelo trabalho que conheço da Associação Casapiana de Solidariedade, são tópicos presentes nas preocupações dos seus dirigentes, do seu quadro técnico e de todos os que diariamente proporcionam os melhores cuidados aos seus residentes. Mas a que poderão juntar-se, também, os residentes e até os familiares, num saudável processo de participação cívica.
 

Apesar de sabermos que 2022 continuará a ser um ano de preocupações devido à pandemia ainda não controlada, o desejo é de que seja um ano com saúde para todos, de maior liberdade e segurança para os residentes, de esperança enquanto sentimento do coletivo e com a estabilidade necessária para que a ACS possa continuar o seu trabalho multidisciplinar e interprofissional de referência: a prestação de cuidados orientados pelo princípio da Dignidade Humana.  

Júlia Cardoso. Assistente social, doutora em Serviço Social. Presidente da Direção da Associação dos Profissionais de Serviço Social.

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Pandemia e impacto na vida

11 de março de 2020, Tedros Adhanom Ghebryesus,  diretor da Organização Mundial da Saúde, declarou o COVID-19, uma pandemia com níveis alarmantes de propagação.

 

Foi o choque. Instalou-se uma crise muito grave que se espalhou pelo mundo e afetou todos os domínios da nossa vida, a pandemia teve um impacto inimaginável.

 

Para travar o elevado nível de contágio, tomam-se medidas de Saúde Pública, excecionais, imprescindíveis e emergentes.

Assistimos, então,  a um enorme desafio ao Direito e multiplicam-se dia a dia as adequações jurídico-constitucionais, em todos os ramos do Direito, de forma a garantir o cumprimento das medidas de prevenção e precaução ditadas pela diferentes áreas de especialidade em  Saúde.

Passamos por diversas fases, estado de emergência, contingência ou calamidade e alerta, avançamos e retrocedemos, conforme a evolução da pandemia e, em simultâneo, criam-se as leis exigíveis e adequadas a regular as diferentes atividades individuais, familiares, sociais, empresarias e, outras.

Durante alguns períodos, que parecem longos, os direitos, liberdades e garantias previstos na nossa Constituição, são restringidos ou suspensos.


Adia-se a tramitação de processos judiciais,  reuniões presenciais, deslocações em serviço, suspendem-se prazos judiciais e administrativos, suspendem-se ou restringem-se os acessos presenciais aos locais de trabalho, aos serviços e instituições publicas, aos eventos culturais e desportivos, aos estabelecimentos de educação, de ensino, suspendem-se aulas, provas e exames, suspendem-se casamentos, batizados, atividades económicas, comerciais, proíbem-se alguns velórios e funerais em função da causa de morte e limita-se o numero de presenças noutros, proíbem-se deslocações nacionais e internacionais, visitas e acompanhamento de pessoas idosas ou dependentes institucionalizados ou pessoas internadas em unidades de saúde publicas, privadas, do setor social e cooperativo.


Tudo se resume,  a restringir formas de convivência e contacto presencial entre pessoas para evitar o contágio.


Com a opção pelos contactos e reuniões à distancia, surgem inúmeras situações que tiveram de ser legisladas e a matéria não se dá ainda, por concluída.


Indicámos alguns dos adiamentos e das suspensões que parece, terem paralisado fases da vida. Em contraposição, intensificou-se a atividade cientifica à descoberta da solução para parar a pandemia, quebrando a incerteza e insegurança que deram lugar ao medo.


A criação, revogação e repristinação das leis, continua dia a dia, em prol dos interesses individuais e coletivos, acompanhando as regras ditadas pela Ciência na prevenção da doença e promoção da saúde.

Decorreram dois anos. Aprendemos. Advinham-se mais pandemias? Dizem que sim.  Mas o  tempo não para. 
 

Viver a Vida, com confiança e todos os cuidados que são aconselhados, será uma forma de vencer o impacto causado pela pandemia.
 

“(…) Que, nos perigos grandes, o temor
É maior muitas vezes que o perigo; (…)” , in Canto IV- estrofe 29, Luis Vaz de Camões.

 

Votos de Festas Felizes, em Segurança e com Saúde.
 

Isabel Alves Pires, Jurista

 
A Importância da Família nas ERPIs

Recentemente, com os esforços que todo o país tem feito para combater a pandemia COVID-19, a ACS implementou um plano de visitas bissemanal que, finalmente, permite às famílias terem um maior contacto com os residentes. A importância do envolvimento familiar é inegável e cada vez mais indispensável no contexto atual das ERPIs (Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas).

 

Por este motivo, a ACS criou o projeto Reencontro-me, desafiando todas as famílias a criar um baú de memórias e um álbum personalizado. Através deste projeto tem sido possível intervir com os residentes e proporcionar momentos terapêuticos. Em simultâneo, graças ao Reencontro-me, o trabalho dos psicólogos tem sido facilitado, nomeadamente ao nível da reminiscência e da orientação nas três dimensões.

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Dada a situação atual, onde as famílias podem voltar a ter um papel mais ativo no bem-estar dos residentes, deve sempre existir um momento de reflexão - o que é que eu posso fazer para contribuir, enquanto familiar? As famílias intervêm em três dimensões integrais para a vida do residente das ERPIs: emocional, instrumental e ainda na perspetiva dos cuidados pessoais. No entanto, este desafio frequentemente acaba por afetar o bem-estar dos familiares, fazendo com que estes assumam uma posição ambígua relativamente ao seu envolvimento com o residente. Por vezes, parece que quanto mais se satisfazem as necessidades físicas e psicológicas do residente, maior é o desgaste emocional das famílias.

 

É prioritário encontrar um equilíbrio entre as necessidades do residente, a disponibilidade das famílias e a logística das ERPIs. A relação positiva entre todas as partes é fundamental para que as famílias e os residentes consigam tirar o máximo proveito das atividades e decisões concretizadas em conjunto. A falta de comunicação e a inexistência de uma mediação de expetativas revela-se prejudicial para todos os envolvidos no processo. Daí ser importante que as famílias tenham um papel ativo nas várias faces da vida do residente na ERPI – este papel ativo aplica-se ao bom conhecimento da instituição e atividades, às relações com os outros residentes fora do círculo familiar, à participação nos projetos da casa, à boa comunicação com os colaboradores e funcionários, entre uma série de outros fatores que complementam esta ponte entre a residência e o núcleo familiar.

 

Nesta medida, a ACS tem lutado para que existam o máximo de oportunidades para as famílias se manterem envolvidas, mesmo numa fase tão difícil que todos atravessamos. O plano de visitas atual conta com a colaboração voluntária de alguns familiares que ajudam a acompanhar as visitas na segurança. Ao mesmo tempo, a ACS tem contado com a contribuição da residente Maria Irene Graça, promovendo-se assim um maior acesso à realidade no dia-a-dia da casa. De igual modo, os estagiários também fazem parte deste acompanhamento às visitas. Os familiares são uma peça central do funcionamento de qualquer tipo de residência e a sua perspetiva deve enquadrar-se sempre em primeiro plano e deve ser sempre compreendida por completo.

 

Em tempos normais, uma família pode desempenhar vários tipos de papeis nas suas visitas. Primeiramente, uma família pode prestar assistência direta, seja nas coisas mais “pequenas”, como pentear ou cortar as unhas, seja em funções que normalmente seriam delegadas para os funcionários da residência, como ir à casa de banho ou deitar o residente. Em segundo lugar, há um papel de supervisão/gestão de cuidados, por exemplo, através do abastecimento de produtos para o residente ou de levar o residente a consultas externas – este papel é marcado pela vigilância e mediação das necessidades do residente por parte da família. De igual modo, a família pode prestar apoio socioemocional ao residente – o envolvimento neste sentido dá-se através da replicação de rotinas, da organização de atividades de lazer, de ser uma ponte para a realidade do mundo exterior, através de atividades externas e ainda através do fornecimento de objetos com valor pessoal; neste papel, a família age também como uma ponte biográfica entre o residente e a instituição. Por último, a família pode assumir um papel comunitário, onde contribui ativamente para a melhoria do bem-estar não só do seu familiar, como também dos outros residentes, através de lazer, cuidados básicos ou até mesmo de visitas dirigidas a toda a casa.
 
Atualmente, é uma tarefa árdua tanto para as instituições como para os familiares conciliarem esforços para a manutenção de todos estes papéis e ideais. Contudo, na ACS, ainda é possível concretizar bastantes destas metas. As famílias podem fornecer bens alimentares e de higiene aos residentes, algo que se revela muito importante na qualidade de vida do dia-a-dia. Por outro lado, também é possível para as famílias mediar estes momentos através da comunicação com os colaboradores ACS – a equipa multidisciplinar tem sempre em conta as preferências e opiniões da família. Dadas as limitações para a frequência e tempo de visita, as famílias têm liberdade de contactar os residentes através de videochamadas com o apoio do gestor de caso ou mesmo de outros colaboradores que estejam disponíveis. Embora as videochamadas não proporcionem qualquer tipo de contacto físico, são um método para contornar outro tipo de limitações impostas pela pandemia (p. Ex. leitura labial/facial, maior tempo de comunicação, possibilidade de mostrar o mundo exterior aos residentes, contacto com a realidade, entre outros aspectos positivos). É ainda possível acompanhar os residentes fora da instituição durante tempo limitado. Para que isto aconteça as famílias devem comunicar a sua intenção ao gestor de caso, que avaliará a situação. Assim que a intenção seja aprovada, as famílias podem estar com os residentes fora da instituição durante um período inferior a 24 horas contínuas.

 

O papel das famílias é complexo e diversificado consoante o historial de cada residente. O envolvimento que cada pessoa pode ter vai muito para além do papel de visitante e é altamente flexível ao longo do tempo, variando consoante as circunstâncias pessoais/familiares e o relacionamento com o residente e os colaboradores. Embora as restrições a nível governamental influenciem grandemente o nível de envolvimento que as famílias podem ter, a ACS tem adaptado, de modo célere, as suas diretrizes relativamente ao contacto familiar. É importante manter a esperança perante as adversidades com que nos temos confrontado ao longo desta pandemia mas mais importante ainda é manter a nossa resiliência, trabalhando em conjunto. É precisamente em tempos como este que um pequeno afeto, um simples sorriso ou um breve olá pode marcar a diferença e mudar o dia daqueles que amamos.


Referências bibliográficas:

Gaugler, J. E. (2005). Family involvement in residential long-term care: A synthesis and critical review. Aging & Mental Health, 9(2), 105–118.
Puurveen, G., Baumbusch J., & Gandhi, P. (2018). From family involvement to family inclusion in nursing home settings: A critical interpretive synthesis. Journal of Family Nursing, 24(1), 60–85.

Bernardo Vicente, Psicólogo Júnior

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Pode a Dieta Mediterrânea influenciar a Saúde Mental durante a COVID-19?

A COVID-19 classificada como pandemia em março de 2020 pela Organização Mundial de Saúde, é a doença provocada pela infeção pelo vírus SARS-CoV2 que tem provocado um impacto disruptivo na saúde, economia e relacionamentos interpessoais.(1)

 

Uma das medidas mais importantes a serem tomadas para  contenção da propagação do vírus e proteção da saúde física de milhões de pessoas,

 

foi a quarentena massiva com impacto negativo na resiliência da saúde mental, aumentando do risco de desenvolvimento de sintomas depressivos e ansiosos.(1) A estes sintomas e ao isolamento social, associa-se uma maior tendência para o consumo de “alimentos conforto”, de elevada densidade energética, ricos em gordura e hidratos de carbono, como os produtos de pastelaria e fast-food. No entanto, este padrão alimentar não constitui um benefício para a nossa saúde, aumentando não só o risco de doenças metabólicas como a dislipidemia, diabetes mellitus tipo 2 e obesidade, associadas a um pior prognóstico da doença COVID-19, como parece associar-se ao desenvolvimento e/ou agravamento de sintomas depressivos. (2)


Em contraponto, estudos associam a adoção de estilos de vida saudáveis como a Dieta Mediterrânea, há diminuição do risco de desenvolvimento de doenças crónicas não transmissíveis e de sintomas depressivos. A Dieta Mediterrânea, caraterística dos países banhados pelo mar Mediterrâneo é um estilo de vida em que se dá preferência ao consumo de produtos minimamente processados, da época, promoção de confecções culinárias protetoras das caraterísticas nutricionais, constituída essencialmente por alimentos de origem vegetal como os hortofrutícolas, leguminosas e frutos oleaginosos, cereais integrais, pescado e azeite. Estudos associam a Dieta Mediterrânea a uma diminuição da sintomatologia depressiva que parece ser explicado pelo seu elevado teor em vitaminas, minerais, ácidos gordos polinsaturados ómega-3 e alimentos com alto teor em triptofano, a uma melhoria da função endotelial, melhor produção de Brain-Derived Neurotrophic Factor, aumento de prostaglandinas de série anti-inflamatórias e melhoria da síntese e regulação da seretonina. (3,4)

 

Assim sendo, os autores consideram que a promoção de uma alimentação saudável com base na Dieta Mediterrânea e prática de exercício físico é tão importante quanto as medidas de contenção do vírus para o combate contra a pandemia COVID-19. A Dieta Mediterrânea parece não só ser capaz de reduzir o risco de doenças crónicas associadas a uma maior morbi-mortalidade pela COVID-19,  como também diminuir o risco de desenvolver sintomas depressivos, contribuindo para a promoção da saúde física e mental da população.

(1)   Brooks SK, Webster RK, Smith LE, Woodland L, Wessely S, Greenberg N, et al. The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence. Lancet. 2020;395:912-20.

(2)   Camilleri GM, Méjean C, Kesse-Guyot E, Andreeva VA, Bellisle F, Hercberg S, et al. The associations between emotional eating and consumption of energydense snack foods are modified by sex and depressive symptomatology. The Journal of nutrition. 2014:jn. 114.193177

(3)   Perez-Martinez P, Garcia-Rios A, Delgado-Lista J, Perez-Jimenez F, Lopez-Miranda J. Mediterranean diet rich in olive oil and obesity, metabolic syndrome and diabetes mellitus. Current pharmaceutical design. 2011; 17(8):769- 77

(4)   Sánchez-Villegas A, Henríquez-Sánchez P, Ruiz-Canela M, Lahortiga F, Molero P, Toledo E, et al. A longitudinal analysis of diet quality scores and the risk of incident depression in the SUN Project. BMC medicine. 2015; 13(1):197.

Ana Margarida Fraga e João Facucho Oliveira, Psiquiatras da ACS

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Estudo das dores crónicas nas ERPI´s

Cerca de 90% dos residentes em estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI) sofrem de dores que são crónicas, com profundas implicações no seu funcionamento psicológico e físico.

 

Um estudo realizado na área de Lisboa*, revelou que os residentes solicitam medicação durante as crises de dor aos enfermeiros. No entanto, identificaram como estratégia mais satisfatória as massagens realizadas sobretudo por fisioterapeutas. Considerou-se que a satisfação associada com a aplicação de massagens está associada à relação que se

estabelece mas também ao contacto físico com o profissional de saúde. Quanto à ajuda necessária com as atividades da vida diária, devido à dor, prestada pelos auxiliares de ação direta, revelou-se que esta é melhor recebida quando a autonomia do/a residente é respeitada e promovida.

*Estudo sob a coordenação científica da Professora Doutora Marta Osório de Matos, investigadora integrada no Centro de Investigação e de Intervenção Social do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Este estudo contou com a participação de residentes da ACS, bem como de outras instituições na área metropolitana de Lisboa.

Professora Doutora Marta Osório de Matos (Investigadora integrada no Centro de Investigação e de Intervenção Social do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL)