Newsletter nº2 - Abril 2020

 
Editorial

Nada é novidade na prevenção de riscos operacionais, financeiros, de imagem ou legais. As instituições, as empresas e as organizações já passaram por tudo isto ao longo dos séculos.


A novidade é o sujeito, seja, peste, febre asiática, “hispañuela”, das aves ou o novo coronavírus.
 

Então o que é que mudou? 
 

No meu entender mudou o conhecimento e a base de mitigação operativa de riscos que as organizações devem ter implementadas para o Risco Desconhecido que baterá à porta num dia que não se esperava e em que não foi convidado, e aí vem a surpresa.
 

Como gerimos a crise do Covid-19 ou com novo Coronavírus na ACS – Associação Casapiana de Solidariedade?
 

Temos que considerar que estados de alerta temos todos os anos em casa (Lar da ACS) com as gripes e outras maleitas transmissíveis nos ambientes de residência e convivência de pessoas idosas com estados de saúde diferentes. Por isso a ACS há muito que tem procedimentos de prevenção em cuidados de saúde que incluem a segmentação da população residente de acordo com o estados de saúde e das necessidades de cada grupo, desta forma, isolamos grupos e dificultamos contaminação e infeção da comunidade residencial e funcionários. 
 

Quando em 26 fevereiro último, tivemos de tomar decisões porque um vírus estava a caminho pela Europa dentro, “só” tivemos que pegar no plano de contingência, revê-lo, incrementá-lo e aprová-lo. De imediato o Plano de Contingência foi confirmado em 4 de Março de 2020, plano este que tinha um foco central único e imperativo: - A saúde e a vida dos nossos utentes e dos nossos funcionários. Até hoje, fruto do nosso trabalho responsável e de toda a nossa equipa, conseguimos manter incólume o nosso “forte” e em especial as nossas pessoas.
 

Mas as crises, e esta em especial, porque é a última que vivemos e estamos a viver, deixam rasto, deixam vítimas pelo caminho e o trabalho da direção da ACS foi em conjunto com os responsáveis analisar cenários e identificar riscos (inimigos), e entre eles está a perda de receitas imediatas e a médio e longo prazo que alerta para a garantia de busca e implementação de soluções que nos permitam sobreviver financeiramente para cumprir os nossos compromissos com os fornecedores e prestadores de serviços e podermos fazer um esforço na compra em quantidade extraordinária dos materiais de proteção necessários. 
 

Não podemos esquecer os encargos e responsabilidades com os 67 funcionários, as suas famílias e todos os que de alguma forma estão a nós ligados, e não esquecemos pois no meio desta crise garantimos o cumprimento das nossas obrigações e apoio para com todos.
 

Costuma-se dizer que no verão preparamos o inverno foi o que fizemos.
 

Gerimos com responsabilidade e profissionalismo sob a capa do humanismo e da solidariedade, ou não fossemos nós Casapianos.
 

Saudações Casapianas

Luís Figueiredo

 
Plano de Contingência em situação de pandemia

Um Plano de Contingência é um documento de planeamento estratégico, que pretende retratar as medidas e as ações a desenvolver por uma entidade, numa situação excecional, com as orientações e os limites à intervenção, as medidas preventivas e reativas, a equipa de profissionais a destacar, a estrutura de comando etc., minimizando as consequências negativas que possam daí advir.
 

Pandemia por outro lado, é uma palavra proveniente do grego e significa “todo o povo”, isto é, uma nova doença que se propaga por todo o lado e por todos as pessoas. 

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma pandemia começa quando estão reunidas 3 condições: O surgimento de uma nova doença, o seu agente infetar seres humanos e espalhar-se rapidamente entre todos e em todos os continentes.

Foi isto que aconteceu com o COVID 19, uma doença proveniente de um vírus desconhecido, um Corona Vírus chamado Sars-Cov-2, que apareceu no início do ano na China e em menos de um mês se expandiu por vários países e provocou inúmeras mortes. Com este panorama a OMS decretou a 11 de março último, a situação de pandemia, recomendando ações urgentes e agressivas a todos os países. 

 

Logo que se tomou conhecimento pela comunicação social, do que se estava a passar na China, ainda durante o mês de fevereiro, decidiu-se iniciar a elaboração do Plano de Contingência para a Associação Casapiana de Solidariedade (ACS), de modo a ir preparando e antecipando as medidas e as ações, que prevenissem o aparecimento de casos entre os residentes e ou trabalhadores. Assim aconteceu e o Plano foi aprovado em reunião da Direção a 4 de março.

Tivemos essencialmente 4 objetivos:

1. Minimizar os efeitos do impacte da epidemia nos residentes e utentes.
2. Identificar os recursos humanos e materiais necessários que ajudem a atenuar os efeitos.
3. Planificar de uma forma integrada as ações a desenvolver e os responsáveis pela sua implementação.
4. Estabelecer e documentar os procedimentos de decisão e a coordenação das ações e o processo de comunicação interna.

 

Com estes objetivos decidiu-se qual a estrutura de comando, centrada na Diretora Geral, a definição de responsabilidades, quer do grupo de comando quer do grupo operacional, as medidas a desenvolver, as de prevenção, nomeadamente, o grau de criticidade dos serviços, (o que não pode parar) alguns princípios orientadores como o reforço das medidas de higienização das mãos e dos espaços, a gestão dos recursos humanos e ainda as medidas mais duras de contenção a adotar, caso a doença chegasse a Portugal.

 

Infelizmente chegou e o nosso Plano de Contingência teve de ser acionado, com um “pulso forte” por parte da nossa Diretora Geral, que foi implementando dia a dia as medidas consideradas necessárias ao momento que o país atravessava. Contudo como já se esperava, foi necessário ir atualizando algumas dessas medidas e acrescentando outras, mais robustas e mais enérgicas.
Fazem ainda parte do Plano de Contingência, algumas orientações a seguir, relativamente à informação e comunicação e os parâmetros de avaliação a utilizar na fase pós pandemia.

 

Todos desejamos que a situação passe e que o nosso Plano de Contingência tenha servido com as suas medidas, para conter esta doença e proteger os nossos residentes. 
Por último, uma palavra de agradecimento aos trabalhadores da ACS, que de uma forma solidária e corajosa dão tudo para o cumprimento das medidas superiormente aprovadas.

Maria Eugénia Duarte – Vogal da Direção

Gestão e organização dos serviços e motivação do pessoal  e das  equipas em circunstância atípica  e críticas

Gerir pessoas não é tarefa fácil.

Somos todos diferentes na nossa forma de estar e de ser pelo que é necessário motivar e sensibilizar. Conseguirmos que uma equipa funcione como um grupo com objetivos bem definidos é, por si só, desafiante. Todos necessitamos uns dos outros, cada um com a sua tarefa, para que os objetivos sejam alcançados com sucesso.

 

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”

(Madre Teresa de Calcutá) 

 

A situação mundial atual é a prova legítima de que apenas uma gota poderá fazer a diferença. Estamos a ser testados ao mais alto nível da nossa capacidade de resiliência e entendimento de que a corrente é importante e que no fundo somos todos um, e que a união e o trabalho em conjunto são um meio para ultrapassar obstáculos e alcançar vitórias.

 

Desde de Dezembro de 2019 que tenho assistido a um acontecimento que não me parecia real… Falo do novo corona vírus, um vírus mortífero e altamente contagioso. Era necessário isolar pessoas, vilas e aldeias para combater a doença que este vírus originou e que chamaram a doença de COVID 19. Sem aviso prévio, este vírus veio alterar todas as rotinas e atingiu todos de igual forma, embora com mais incidência nas pessoas de mais idade. Na minha opinião, e numa perspetiva positiva, o vírus conseguiu alterar a mentalidade das pessoas tornando-as mais humanas e mais próximas na preocupação com o próximo, embora com o devido distanciamento social. Chegou e uniu povos, países, culturas e religiões com um único propósito: combater esta que poderá vir a ser a maior pandemia na história mundial.

 

Vivemos em estado de pandemia, decretada pela Organização Mundial de Saúde no dia 13 de Março de 2020, que veio alterar a estabilidade do estado de saúde da população. Este estado pandémico está também a influenciar a economia de todos os países, Portugal não foi exceção, e, atualmente, estamos a conviver com algo que nos é totalmente estranho e desconhecido. 

 

Para evitar a propagação do COVID-19, foi decretado o Estado de Emergência pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa que alterou todas as rotinas dos cidadãos e das empresas em Portugal. A Associação Casapiana de Solidariedade teve que, perante todo o cenário que se adivinhava, elaborar o seu Plano de Contingência, atualizando-o conforme os normativos dos organismos oficiais. 

 

Foram dois meses muito difíceis em que existiu a necessidade de organizar os serviços e reorganizar as equipas nesta altura atípica e crítica que vivemos. 

 

Existiu necessidade de atualizar, quase que ao minuto, as tarefas a desenvolver no dia a dia da instituição. Foi necessário muito empenho, dedicação e discernimento para captar e compreender as orientações das entidades oficiais e implementá-las no imediato. Foi fundamental a capacidade reativa que tivemos face à situação, começando logo com a implementação de um conjunto de medidas mesmo antes de existir essa indicação por parte do Estado Português e pelas suas entidades competentes. 

 

Embora numa dimensão macro, a Estrutura Residencial para Pessoas Idosos da Associação Casapiana de Solidariedade (ACS), teve ela também que alterar e ajustar todas os seus procedimentos alterando assim as suas rotinas diárias. Esta intervenção só foi possível pela coesão profissional presente entre os funcionários da instituição. Rigor e eficiência foram as palavras chave desde o dia 13 de março de 2020, dia em que iniciámos uma nova fase na estória, ainda não terminada, da ACS.

 

Até termos todas as medidas implementadas e rotinadas foi um verdadeiro desafio e uma tarefa muito difícil que apenas foi possível com a dedicação e o empenho dos funcionários e de todos os residentes e respetivas famílias.   

 

Assim, hoje e num futuro próximo, o nosso lema será gerir e organizar os serviços dia a dia numa motivação constante, das equipas, dos residentes e das famílias.   

 

Ultrapassar esta altura que vivemos, em termos institucionais e pessoais, só será possível com uma boa gestão e organização da instituição e com o empenho e motivação de todos os que nela trabalham.

 

UM BEM HAJA A TODOS.

Jocelina Santos

Reorganização de equipas/Teletrabalho

Teletrabalho… Há anos que se fala desta metodologia de trabalho e em alguns países já existem muitas pessoas que desempenham as suas profissões a partir das suas casas. No entanto, esta metodologia apenas era aplicada numa amostra muito reduzida de pessoas, até porque, e na maioria das mentalidades e sociedades, existe a ideia errada que as pessoas em teletrabalho não produzem ao mesmo ritmo do que estando nos seus postos de trabalho.

 

Infelizmente, e devido à crise pandémica que vivemos devido ao novo Coronavírus – COVID-19, o mundo foi “obrigado” a fechar-se em casa, forçando todas as empresas e instituições, independentemente do setor, a adotar este sistema de trabalho.

 

É necessário, antes de mais, compreender que o teletrabalho não é exequível de igual forma em todas as profissões. Algumas, aquelas a que chamamos “profissões de terreno”, em circunstância alguma se podem ausentar dos seus postos de trabalho. Por exemplo, e entre muitos outros, os profissionais de saúde, as forças de segurança pública e os ajudantes de ação direta. Estes últimos, que muitas vezes são esquecidos e que nesta altura se revelaram fundamentais para o possível funcionamento das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) pelo mundo fora.  No caso da Associação Casapiana de Solidariedade (ACS) conseguiu-se ir mais longe e fazer com que os demais funcionários, fora das suas profissões e das suas zonas de conforto, dessem o apoio necessário para que tudo corra conforme as exigências e os normativos em prol do bem-estar dos residentes da ERPI da ACS.

 

Para as profissões cujo teletrabalho é possível e exequível, nesta fase, foi a “tábua de salvação” para uma grande parte das empresas que conseguiram manter os seus postos de trabalho, funcionários e, principalmente, respeitar o isolamento social exigido pelo Estado e respetivos organismos competentes salvaguardando a saúde dos funcionários de forma a contribuir para travar a pandemia. A questão que se coloca, e à qual os Portugueses não estão habituados, é: “Mas com pessoas a trabalhar em casa, como é possível gerir equipas e controlar tarefas?” Em primeiro lugar, importa referir que esta questão é duplamente questionável. Se por um lado as empresas não estavam e não estão ainda familiarizadas com o teletrabalho, por outro os funcionários também não estavam preparados para assumir as suas funções pelo que tiveram que, ao mesmo tempo, se adaptar e disciplinar para conseguirem executar as suas funções. Obviamente que esta questão é mais complicada para as empresas ou instituições que não estão preparadas, dada a sua dimensão e porque não lhes passava pela cabeça, existir a necessidade de ficar em casa a trabalhar. Como é o caso prático da ACS cujo foco de intervenção é no terreno prestando serviços a pessoas de mais idade. Foi difícil restruturar e reorganizar os serviços para teletrabalho, essencialmente os administrativos da ACS que, para além do trabalho administrativo têm um trabalho administrativo com uma componente de atendimento presencial dos residentes, dos funcionários, dos sócios, dos fornecedores, entre outros. No entanto, e como diz o dito popular “a necessidade faz o engenho” e assim tivemos que nos adaptar e levar a cabo algo que, em momento algum, pensámos ser possível. 

 

A tudo o que já referi, acresce ainda um fator importante na agilização do teletrabalho que é conseguir conciliar o trabalho com a família, também ela em isolamento social.
Em segundo lugar, e para quem gere as equipas, um dos grandes desafios é dar resposta a todas as solicitações que chegam por email ou por qualquer outra ferramenta de trabalho, tarefa que é simplificada quando todos estamos a trabalhar a partir do mesmo espaço. Outro grande desafio é o de conseguir transportar a coesão do grupo de trabalho numa situação de teletrabalho, ou seja, conseguir que cada um em sua casa utilize ferramentas que minimizem a distância e que sejam facilitadoras do desempenho do grupo de trabalho e das suas respetivas responsabilidades. Felizmente, e no nosso caso, temos conseguido responder eficazmente às necessidades existentes, garantindo assim o funcionamento dos serviços administrativos, como se não estivéssemos em teletrabalho.

 

Apesar de forçado por condições excecionais e adversas, os nossos funcionários conseguiram racionalizar, operacionalizar e fazer com que a distância não fosse impeditiva de que os serviços administrativos, em cada uma das suas áreas, continuassem a funcionar. 
Considero que todos juntos e com espírito de equipa conseguimos reorganizar e restruturar com sucesso os serviços administrativos da ACS.

 

Por isso, e apesar do momento que vivemos, ainda temos a felicidade de podermos trabalhar em conjunto. 

 

A todos, o meu MUITO OBRIGADO.
 

Pedro Almeida

 
Medidas de protecção e prevenção nos cuidados de saúdes prestados

O novo coronavírus, designado SARS-CoV-2, foi identificado pela primeira vez em dezembro de 2019 na China, na cidade de Wuhan. Este novo agente nunca tinha sido identificado anteriormente em seres humanos. A fonte da infeção é ainda desconhecida.

A COVID-19 transmite-se pessoa a pessoa por:

 

  • Contacto próximo com pessoas infetadas pelo SARS-CoV-2, através de um aperto de mão, tosse e espirro;

  • Contacto com secreções respiratórias (gotículas);

  • Contacto com superfícies e objetos contaminados; As gotículas podem depositar-se nos objetos ou superfícies que rodeiam a pessoa infetada e, desta forma, infetar outras pessoas quando tocam com as mãos nestes objetos ou superfícies, tocando depois nos seus olhos, nariz ou boca. 

Os principais sinais e sintomas da COVID-19 são:

 

  • Febre;

  • Tosse;

  • Dor de garganta;

  • Dor musculares;

  • Pneumonia grave;

  • Síndrome Respiratório Agudo Grave;

Podendo, no entanto, haver ausência de sintomas – estes podem desenvolver-se num período entre 2 a 14 dias após o contágio.
 

Os grupos de Risco para COVID 19 incluem:

 

  • Pessoas idosas acima de 70 anos;

  • Pessoas com doenças crónicas – doença cardíaca, pulmonar, diabetes, neoplasias ou hipertensão arterial, entre outras;

  • Pessoas com compromisso do sistema imunitário (a fazer tratamentos de quimioterapia, tratamentos para doenças auto-imunes (artrite reumatoide, lúpus, esclerose múltipla ou algumas doenças inflamatórias do intestino), infeção VIH/sida ou doentes transplantados).

Formas de prevenção do novo coronavírus:

 

  • Lavar as mãos (com sabão ou com solução antissética de base alcoólica);

  • Usar máscara de protecção adequadamente, se apresentar sintomas;

  • Verificar a temperatura corporal com regularidade;

  • Evitar grandes multidões;

  • Evitar tocar no rosto;

  • Cumprir distância de segurança (2 metros);

  • Ser criativo na forma de cumprimentar (evitar o tradicional aperto de mão).
     

“Nada acontece por acaso, e tudo vai ficar bem, tudo vai passar. Na vida tudo passa e isto também vai, acredite, não desista, levante a cabeça. Estamos todos juntos.”
(Ítalo Lacerda)

 

Enf. João Pereira

 
O que mudou na estrutura residencial para pessoas idosas da ACS
O testemunho de um funcionário

A cada dia que passa, sinto-me mais REALIZADA e ORGULHOSA por pertencer a esta instituição. Não existem limites para proteger “os nossos” residentes e utentes e fazer com que eles se sintam felizes para que, todos juntos, sejamos uma FAMÍLIA.

Prova disso é que, em situação de incerteza e de insegurança, continuamos com o mesmo sentido de responsabilidade em proteger aqueles que nos são tão queridos, “os nossos” residentes. 

A vida alterou-se por causa do novo coronavírus – COVID-19, em momento algum eu pensei viver uma situação de pandemia.  Para mim este seria apenas um cenário que estudaria na disciplina de História onde faria parte de um conteúdo programático e não de uma realidade.  Pergunto-me como foi possível, em fevereiro, termos festejado o Carnaval na Associação Casapiana de Solidariedade (ACS), onde os abraços e beijinhos eram prática comum não pensando eu que, em março, seriam “proibidos”. 

 

Nada é certo nesta vida. O que temos hoje, podemos não ter amanhã. Foi o que nos aconteceu, vimos as nossas vidas profissionais e pessoais mudarem completamente. Nem tivemos tempo para pensar e refletir sobre as consequências do COVID-19, hoje vivemos um dia de cada vez.

 

Para mim, em particular, têm sido momentos difíceis e angustiantes. Como tenho dois filhos pequenos, desde o dia 16 de março que me encontro em regime de teletrabalho, nada fácil quanto à gestão do tempo, principalmente, porque me tenho que desdobrar entre os meus filhos e o meu trabalho. 

 

Na semana da Páscoa voltei à Associação para dar apoio à equipa, ajudando nos cuidados prestados diretamente aos idosos. Nessa altura pude constatar todo o esforço dos meus colegas em prol do bem-estar de todos os residentes e utentes. A prestação de cuidados teve que, obviamente, ser ajustada e adaptada, não descurando o positivismo e o amor, característica presente nos funcionários da instituição. Neste momento, e uma vez que fomos obrigados a “vedar as visitas”, e estas são feitas por videochamada, os funcionários são a ponte legítima entre os residentes e as suas respetivas famílias. É gratificante entender o quanto é importante a presença, mesmo que virtual, das famílias no dia a dia dos residentes. 

 

Penso que o sucesso que temos tido até agora se deve à proatividade e celeridade da ACS na implementação das medidas preventivas, das medidas de contenção e das medidas de contenção extra previstas no plano de contingência da Associação e que cumprem com as orientações e diretrizes da Direcção Geral de Saúde e da Segurança Social. As decisões tomadas pela ACS foram fundamentais para que, antecipadamente, fosse possível criar uma espécie de “bolha” protetora em torno da instituição, dos seus residentes e dos seus funcionários. A capacidade reativa da ACS foi, na minha opinião, exemplar e permitiu que impedíssemos a entrada de um vírus, mesmo antes de qualquer recomendação por parte dos organismos competentes do Estado, que para os nossos residentes, enquanto população de risco, pode ser mortal.

 

Pessoalmente, tenho receio de perder alguém que amo ou alguém de quem gosto. 
Numa altura em que o distanciamento social faz parte da nossa rotina diária, torna-se ainda mais difícil de lidar com os sentimentos e com as emoções. Tenho a minha avó e os meus pais, que também são avós, e que vivem em Rebordelo no concelho de Vinhais, Distrito de Bragança, e sei bem o quão difícil é estarmos longe das nossas famílias. Sei que já estão fartos de estar em casa e que como a minha avó diz “não tardam a ficar tolheitos das pernas!”. São as pessoas como a minha avó e os meus pais que mais me preocupam. Já passaram por muito, trabalharam imenso e, por vezes, não têm noção do perigo que este vírus significa para a população e, principalmente, para eles que são população de risco. Por isso, à minha avó Alcina, aos meus pais e a todos os pais e avós de Portugal, quero apenas pedir que fiquem em casa e que respeitem as regras que os vossos familiares ou cuidadores, vos impõem. Não é só para o vosso bem. É para o bem de todos nós.

 

Quero aqui deixar o meu OBRIGADA à Direcção da Associação, na pessoa do Presidente Luís Filipe Figueiredo, que sempre apoiou os seus funcionários, à Directora Geral, Dra. Jocelina Santos, pela gestão exemplar de todas as equipas e de toda a parte funcional desta grande Instituição e a todos os meus colegas, tanto os que estão na instituição, como os que, a partir de casa, contribuem para assegurar o bom funcionamento da nossa Associação.

 

Para terminar quero deixar uma mensagem de esperança a todos: 

 

Juntos somos mais fortes e juntos vamos conseguir ultrapassar esta pandemia e o Sol vai brilhar de novo, e iluminar o nosso arco-íris.
 

Patrícia Dias Alves

 
Sra. D. Maria Irene Graça - Residente


Eu sou a Maria Irene Graça e estou a viver aqui por opção própria para não cansar os filhos. Vemo-nos quase todos os dias por videochamada. Estou bem, graças a Deus, até hoje o vírus ainda não entrou cá. O dia-a-dia é muito simples, vou ás refeições, depois entretenho-me a jogar paciência com as cartas, faço tricot, leio, oiço música, vejo noticias. A maior parte do tempo passo neste cantinho (quarto). A relação com as funcionárias é muito boa, já cá estou há muitos anos. Já fez 13 anos que estou cá.  

 

A música faz parte de mim porque fui professora de música. Comecei por ser professora na ilha de Moçambique, depois vim para cá e dei algumas aulas em Lisboa e a maior parte da minha vida foi passada em Vila Nova de Sto. André. Para mim a música é tudo, anima-nos a alma. É como terapia, principalmente a música clássica. 

 

Eu acho que isto tudo foi muito bem estudado e muito mal aplicado porque acho que a humanidade não merecia isto. Mas uma vez que cá está, penso que todos estamos a colaborar par nos vermos livres deste vírus malandro que nos oprime. Se todos nós cumprirmos as regras, ele vai embora depressa. 

 

Temos que ter fé e esperança no futuro. Isto vai passar, não se sabe quando, mas nós vamos ser maiores que ele e conseguir vence-lo.

 

Paz, esperança e muito amor.

Sra. D. Marina Lemos - Residente

Sou a Marina e tenho 94 anos. O meu dia-a-dia, durmo, como, faco costura nas minhas roupas, e faço as actividades que por vezes aqui se fazem. Ocupação de tempo não falta. Estou cá há 12 anos e acho que isso já diz muito. Estou satisfeita. São todos muito simpáticos, é uma família muito grande. 

 

Esta epidemia é uma desgraça, uma tristeza. Mas estou orgulhosa de estar aqui porque estamos absolutamente tranquilos. Desde o primeiro momento têm sido extraordinários.

 

 

Sr. Conceição - Residente

Nasci em 10 de março de 1933 e tenho 87 anos. Isto é um hotel, não podia estar na minha casa e cheguei à conclusão que a minha casa era esta. Tenho cá os meus irmãos que são todos os idosos. Gosto de toda a gente e dou me bem com todos. Tratam me como se fossem da minha própria família. Só tenho um irmão gémeo que esta no Canada, não tenho mais ninguém. Já assisti a duas pandemias, esta é a terceira, já estou habituado. 

 

Tenham acima de tudo esperança e continuem o caminho como estão a fazer. 

 

 


 

 
Esposa Sr. Rafael

 

O meu marido tem alzheimer e perante este período que passamos estou de coração cheio e orgulhosa por ter escolhido com muito amor para o meu marido poder viver o resto da vida dignamente já que ao fim de 7 anos de doença não tive forças para mante-lo ao meu lado. Essa escolha recaiu numa instituição maravilhosa, no coração de Monsanto, em que os funcionários são do mais humano que existe para com os residentes. Todo um conjunto de trabalhadores 100% profissionais e atenciosos. Admiro os muito.

 

Até hoje o estado de saúde dos residentes tem-se mantido sem alterações e sem sinais de contaminação, felizmente, o que se deve ao extremo cuidado que têm com eles. Digo isto porque todos os dias falo com o meu marido, faço videochamadas ou os funcionários para mim e vou me mantendo informada. Adoro vê-lo feliz. Um bem-haja a toda a equipa. Estimo os muito. São maravilhosos.

Filha Sra. D. Angelina

Viver em distanciamento social que nos foi imposto por uma pandemia que representa uma enorme ameaça à nossa vida é um dos maiores desafios que já enfrentamos e um teste à nossa resiliência. Principalmente quando temos de proteger e cuidar de uma mãe que fez 87 anos em confinamento e que não pode estar com os restantes membros da família. Não pode fazer a sua festa de aniversário e nem conviver com as suas amigas. Mas como tudo na vida tem o seu lado bom, a ACS, têm nos feito um acompanhamento diário por videochamada, tem enviado fichas de trabalho para a minha mãe fazer e para estar ocupada. Fichas de matemática, português, pintura, e assim os dias serem mais fáceis de passar. Também para garantir a sua actividade física enviaram uma pedaleira para a mãe poder fazer o seu exercício. Na pascoa fizeram uma visita à varanda para trazer as amêndoas e para minimizar o isolamento dentro do convívio que é possível.  

 

O que desejamos é que brevemente possamos sair deste confinamento e que tudo corra bem neste processo porque a mãe também já tem saudades de voltar ao convívio com as suas amigas.

 

Sobrinha D. Manuela Feria

Neste momento em que já não visitamos os nossos familiares há um mês e meio, só temos de agradecer a todos os que trabalham na ACS e que cuidam deles, lhes dão atenção e lhes asseguram uma certa normalidade no seu dia-a-dia. Mantem em nos também informados com as videochamadas. Aqueles segundos iniciais do brilho nos olhos quando me vê, o sorriso aberto, o seu olá, quase que são suficientes para alimentar. Nesta altura os funcionários são nó. Todo o amor e carinho que temos pelos nossos familiares estão depositados nestas pessoas que deixam os seus, para cuidar dos nossos. Não há como pagar isso.

Muito obrigado a todos.

 

Filha Sra. D. Cândida Toscano

Nestes tempos difíceis, esta pandemia carece de solidariedade e o apoio de todos. Os idosos, os mais frágeis da nossa sociedade, por problemas de saúde e solidão necessitam dos melhores cuidados e atenção. Assim quero expressar o meu testemunho pela forma dedicada, humana e muito profissional que todos os colaboradores e corpo directivo da Associação Casapiana de Solidariedade têm tratado todos os utentes incluindo a minha mãe. Merece todo o nosso reconhecimento e consideração. São a prova do mérito e do sucesso da família casapiana.

Bem hajam.

Neta Dr. Fernando Melo

Em nome de toda a nossa família gostava de dizer que estaremos sempre agradecidos à equipa da associação pelo inexcedível empenho, compromisso e a forma ternurenta como nos têm feito chegar ate ao nosso avô, pai, marido, por inúmeras videochamadas. Sobretudo com a avó, que com 87 anos se viu a aderir às novas tecnologias. Tudo isto graças à equipa. São um elo de ligação fortíssima.

 

Muito obrigada.

© Associação Casapiana de Solidariedade 2017